Um detalhe que me esqueci de contar: quando fiz a tal promessa de ano novo, não estava pensando em emagrecer. Minha preocupação por excelência é com a saúde, principalmente quando eu ficar mais velha. Quero ser uma velhinha toda durinha, enxuta e com saúde de ferro. E meu corpo sempre pediu atividade física. Nos meus intervalos de sedentarismo, às vezes tinha vontade de correr, correr, correr...
Gostava do meu corpo e não me parecia gorda. Ficava abismada quando lia que tal atriz tinha 1,70m e 50Kg. Meu Deus! Como pode? Isso é possível? E por que ela não parece esquelética? Haverá truques aí? E eu lá, com meus indefectíveis 63kg e me achando...
Gosto de mim. Gosto da minha pele. Não tenho uma ruga. Uso renew há mais de uma década. Devia ganhar bônus da Avon!!!! Gosto do meu cabelo. Atualmente até da minha voz eu gosto. É que antes a achava estranha por ser grave. Mas depois de workshop para jornalistas (eu sou jornalista, pessoas) fiquei sabendo que tenho aquela voz que faz as chamadas no aeroporto!!! Totalmente sexy!!!!
Adoro produtos de beleza e sou muito disciplinada. Posso chegar de uma festa às 2 horas da manhã, que lá vai eu limpar, tonificar, esfoliar e hidratar meu rosto. Tenho cremes pra tudo quanto é parte do corpo. Depois falo sobre eles.
Então, quando retomei minhas atividades na academia, passei por uma avaliação física. Agora as avaliações são um pouco diferentes. Depois de responder a 553 perguntas, tem uma segunda parte: a fotografia! Você fica de frente, de costas, de um lado, do outro lado, sempre tendo um gráfico atrás. Te fotografam de todos os ângulos. E aí depois o avaliador começa a te explicar que seu abdômen está ultrapassando a linha tal... ou seja, que você está GORDA!
Confesso que levei um choque quando ele me mostrou as fotos. Fiquei deprimida. Eu não me via assim. Mas não havia como negar as fotos. Senti-me como pega em flagrante. Já tiveram essa sensação? Descobriram meu segredinho!!!! Sou gordinha!!!
A descoberta não parou por aí. Percebi que TUDO que eu vestia ficava apertado. Eu havia me acostumado com aquilo. Se aos 25, usava 36; agora era 38 ou 40!!!! Fui para uma festa e usava um tomara que caia cinza de cetim. Quando vi as fotos tive vontade de morrer!!!! OLHA, AS DOBRINHAS NA BARRIGA!!!!!! Acho que Adão teve a mesma reação quando descobriu que estava nu!
Descobri que estava gorda, já não me achava tão gostosa e vi que alguma coisa precisava ser feita. Na academia já estava. E agora????
segunda-feira, 18 de abril de 2011
domingo, 17 de abril de 2011
De Olívia Palito à Mulher Maçã
Eu sempre fui uma criança magra. Não tinha muitos problemas pra comer não. Era do tipo magra de ruim. Pois é. A magreza me acompanhou pela faculdade. Eu era tão gulosa que comia duas vezes no bandejão da universidade. Minhas amigas ficavam impressionadas porque não sabiam para onde a comida ia. Uma me disse que toda aquela comida ainda ia voltar pra mim. Ô, boca!
A vantagem é que nunca fui fã de doces. Se refrigerante e chocolate sumissem da face da terra eu ia levar meses pra me dar conta. Lá em casa, somos eu e meu marido. Ele é chegado em um docinho, um bolinho, uma coca-cola. Mesmo assim, dois litros de refrigerante pode levar uma semana para ser consumido. Chocolates sempre têm na geladeira. Até na minha bolsa tem. É que eu ganho e fico com vergonha de dizer que não gosto de chocolate. Aí, às vezes eles ficam séculos guardados. Outro dia achei um batom garoto dentro de uma bolsa de festa que usei em uma formatura há uns cinco meses.
Tá certo. Ninguém é perfeito. Eu gosto de ALGUNS doces, desde que tenham frutas. Adoroooo tudo que tenha limão, por exemplo. Torta de limão, picolé de limão, limão em calda (alguém já provou?). Ah, gosto de chupar limão também. Gosto de jujuba. Mas meu fraco são coisas salgadas: batata frita é minha perdição e graças a Deus que não moro nem trabalho perto de uma pastelaria.
Adoro cerveja. Já experimentei tanta marca de cerveja na minha vida que fica difícil catalogar. Vinho, então nem se fala. Conheço por uva, por graduação alcoólica e por nacionalidade. São loucuras que engorda horrores. E também é o tipo de coisa que não abro mão, assim como queijos, salames, comida japonesa e feijoada.
O lado bom é que adoro frutas, adoro legumes e adoro verduras. De verdade! Não como porque é bonito, porque tá na moda, mas porque gosto mesmo. Quando eu era criança, todo dia tinha salada lá em casa. Sobremesa era fruta. Tomávamos suco de beterraba com cenoura, suco de cenoura com laranja, suco de laranja com mamão e por aí vai. Hábitos saudáveis. Água, então, é fundamental. Papai me chamava de arco-íris porque vivia bebendo água.
Diante desse quadro onde relato meus hábitos alimentares da mais tenra infância até os dias de hoje, o fato é que me encontrava com quase 36 anos e 63 Kg (gostaram da arrumação cabalística dos números? Eu preferia ter 25 anos e 52 Kg...). Casada e sem filhos. Então fiz a tradicional promessa de ano novo (2010/2011) de cuidar da minha saúde, do meu corpo. O negócio ainda demorou um pouquinho para engrenar. Só voltei para academia em fevereiro deste ano. Mas essa história eu conto mais tarde.
O começo de tudo
Não é que eu não gostasse de atividades físicas. Sempre gostei. O problema era a continuidade. Aos 36 anos, freqüento academias desde os 25 (antes disso, com 1,58m eu pesava 45 Kg. Era praticamente a pele e o osso, vamos combinar!). Lembro da primeira vez que pisei em uma academia. Pensei logo: isso aqui não é pra mim. Não estava gorda, mas pensava na minha saúde. “Não seja sedentária, não seja sedentária” era a frase que ficava martelando na minha cabeça. Encarei.
Tive a sorte do dono da academia ser um cara muito bacana, que fez do meu treino algo super prazeroso. Na primeira semana senti dores nos lugares que nem sabia que podia doer. Ele falava: “Tá doendo? Toma um dorflex e volte!”. Não tomei dorflex (sou um pouco sádica, confesso). Quatro vezes por semana, das 6h15 às 7h15 estava eu lá, firme e forte.
Ele revisava minhas séries com freqüência. Ia aumentando a carga aqui e ali. Resultado: fiquei viciada. Em três meses as modificações no meu corpo eram visíveis: um baita par de coxas e bunda, minha gente! Eu tinha bunda!
Ele era super convencido com o trabalho que fazia com seus alunos. Chegava alguma novata para conhecer a academia, ele mostrava como tudo funcionava: “Tá vendo aquela bunda ali? Fui eu que fiz”. E fazia mesmo.
E lá estava eu toda gostosa ( me perguntavam até se eu estava tomando bomba), quando seu Rogério (esse era o nome dele) resolve vender a academia. Meu mundo caiu. Sem muitas escolhas, continuei por lá sob nova direção. Mas não era a mesma coisa e fiquei desmotivada. Saí da academia.
Meu corpo pedia movimento, abdominais, distensão, corrida, dor. Tentei outra academia. Duas semanas freqüentando, um professor veio com uma história de umas injeções que as atrizes globais usavam para eliminar a gordura do abdômen que não sei quem aplicava. Completou um mês e caí fora.
Lá estava eu, de novo, sedentária. Resolvi que ia nadar. Detalhe: não sabia nem boiar. Matriculada na academia, no mesmo horário que eu malhava (pra vocês verem a disposição que eu tinha), lá estava eu. Primeiro dia de aula. Sabe nadar? Não. Sabe boiar? Não. Ele me explicou como fazia. Não sei se a pisciana dentro de mim despertou que nesse dia eu boiei, nadei e tudo mais.
Mas como nada na vida é definitivo, tive dois problemas: meu cabelo tava se acabando no cloro. Até aí, tudo mais ou menos: as hidratações ajudavam. O grande problema foi uma otite que tive. Nunca senti tanta dor na minha vida e até chegar ao diagnóstico certo, tinha passado por três otorrinos e quase uma semana de choro. Resultado: piscina pra mim, hoje, só com moderação.
Depois disso passei por várias academias. Não ficava muito tempo e ficava mais tempo ainda tempo parada. Uma das últimas que freqüentei foi daquelas só para mulheres. Nada contra, mas eu achei “fraquinha”. Não doía nada, só 30 minutos. Perdi medidas. Até umas graminhas. Mas definitivamente atividade física pra mim é para suar... e doer.
Larguei as academias. Passei a caminhar. Ou seja, o mesmo que nada. Passou-se quase cinco anos desde então. Eu já estava com 63 kg. Gostosa, mas com 63 kg. Era hora de mudar esse quadro. Mas isso eu conto no próximo encontro.
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